Nascimento Voltatil

Nascimento Voltatil, ANGYE GAONA, trad. de Jeff Vasques (2012)

(trechos do prefácio que fiz para o livro “Nascimento Volátil” de Angye Gaona, lançado em 2012 pela Fábrica ocupada pelos trabalhadores, a Flaskô)

O terror de Estado na Colômbia tem intimidado a população que se cala para não ser presa ou morrer. A poeta Angye Gaona, ao contrário, vem se posicionando publicamente a favor da luta dos trabalhadores, estudantes e dos milhares de presos políticos. Artista de intensa atividade cultural, Angye trava com sua poesia e com sua arte o bom combate, auxiliando na construção da esperança para todos que desejam afirmar a vida na Colômbia, apoiando diretamente a luta dos presos políticos. Por isso mesmo, o governo de Santos armou sua prisão com um julgamento de “cartas

Conheci a poesia e a história de Angye enquanto pesquisava sobre poesia de luta na América Latina. Durante sua prisão, traduzi algumas de suas poesias para fortalecer a campanha internacional por sua liberdade. Assim que foi posta em liberdade condicional, aguardando julgamento, estabeleci contato e desde logo começamos uma fraterna amizade que, apesar de virtual, é forjada na concretude do que nos comove e move: a poesia e a luta pela liberdade plena.

A divulgação no Brasil da situação dos presos políticos da Colômbia (e do caso de Angye) surtiu bons frutos: Batata, quadrinista de combate e trabalhador da Fábrica Ocupada Flaskô, desenhou o poema “A fuga” de Angye e também estreitou contato com a poeta. É assim que nasce a ponte entre Angye, Colômbia e a Flaskô: ponte concreta que nasce e se lança por sobre quilômetros de distância com a publicação deste livro.

Acredito que são desses “nascimentos voláteis” de que fala Angye… algo antigo – e sempre novo – está nascendo deste belo encontro da luta do povo colombiano com a luta dos trabalhadores da Flaskô em defesa do controle operário. Prova concreta de que a luta e a poesia da classe trabalhadora não têm fronteiras e deve, cada vez mais, se tornar uma só. Uma só voz, um só canto, uma só força: que os trabalhadores se façam soberanos sobre seu próprio trabalho; que o povo colombiano se faça soberano sobre sua vontade de vida e liberdade; que a poesia se faça pão na luta do homem e da mulher por se fazerem verdadeiramente humanos. Espero que o livro de Angye Gaona inaugure essa comunhão de revoltas!

Leia aqui 3 poesias de Angye Gaona!

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