GOLPE DE MESTRE

GOLPE DE MESTRE

“O que é o roubo de um banco comparado à fundação de um banco?” (Brecht)

O que é

um golpe de Estado
que nos leva
– revoltados! –
às ruas

se comparado ao

golpe do Estado
que nos leva
– esperançosos! –
às urnas?

um mar de lama

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UM MAR DE LAMA

Quando
as metáforas
se tornam realidade,
um novo dilema
se apresenta
ao poeta:

criar novas palavras
ou um novo mundo
para as velhas?

[foto do Mar de Regência tomado pela lama da Samarco/Vale/BHP]

de rompimentos e rupturas


DE ROMPIMENTOS E RUPTURAS

Seu Sileno Lima
Seu Ailton Martins
Seu Waldemir Aparecido
– e tantos outros Seus, nossos –
seguem vivos
no coração da classe
em que re
florescem.
CEO Ricardo Vescovi
CEO Murilo Ferreira
CEO Andrew Mackenzie
– e tantos outros CEOs, vossos –
seguem mortos
até que o esquecimento
os so
terrem.

(Seu Sileno Lima, Seu Ailton Martins, Seu Waldemir Aparecido, todos trabalhadores mortos pela Samarco/Vale/BHP no rompimento das barragens de Mariana; os outros mencionados são os CEOS – Chief Executive Officer, chefes – da Samarco, Vale e BHP)

Pedido

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PEDIDO

carrega comigo
– amiga amigo –
esse sorriso rindo
de Emanuely Vitória
é tão imenso!
não cabe
no meu peito…
não passa
em minhas portas…
carrega comigo
– amiga amigo –
esse sorriso rindo
por entre as derrotas…
E só o soltemos
– com outros, imensos –
no dia em que a vitória
for nossa.
(foto de Emanuely Vitória morta pela Samarco/Vale/BHP no rompimento da barragem de Mariana)

Previsão do tempo


(sobre o crime da Vale em Mariana)

PREVISÃO DO TEMPO

I.
“Oh, tragédia!”,
“Desastre terrível!”,
“Tão triste acaso…”,
“Mas que catástrofe!”.

Tais frases,
repetem,
os senhores,
(que nunca morrem
– catas
trofica
mente –
em deslizamentos
enchentes, rompimentos
de barragens.)

II.
Vejam,
não se trata, aqui,
de que a metereologia
– assim como as urnas –
sejam imprecisas.

Trata-se
que o tempo
– e a dor que se acumula –
não são de todo
imprevisíveis.

E,
acima de tudo,
que há forças
da natureza que
– além de fúria –
têm memória.

III.
Quando o tempo
– realmente –
fechar
e não for recomendável
– aos senhores –
sairem às ruas
e praças…

(nuvens carregadas
apagando seus horizontes…

vendavais gritando pelas
frestas das casas…

e o tremer de suas pernas
anunciando
que a terra
se rasga
sob um vulcão
– secular –
de raivas…)

Quando o tempo
fechar
e todas suas
usinas, barragens, fábricas
forem inundadas,
engolidas por essa
força revolta
– e mais que natural –
da vida…

diremos, então, “aff,
tragédia!”, “desastre
terrível!”, “tão triste
acaso…”, “que
catástrofe!”.