Pedido

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PEDIDO

carrega comigo
– amiga amigo –
esse sorriso rindo
de Emanuely Vitória
é tão imenso!
não cabe
no meu peito…
não passa
em minhas portas…
carrega comigo
– amiga amigo –
esse sorriso rindo
por entre as derrotas…
E só o soltemos
– com outros, imensos –
no dia em que a vitória
for nossa.
(foto de Emanuely Vitória morta pela Samarco/Vale/BHP no rompimento da barragem de Mariana)

Bella Ciao


………………………………………………………………………………..Partisans na Itália em 1945…………………………………………………………

Durante o curso de formação de monitores do 13 de maio, em que fiquei vários dias, cantávamos esta música quase todo dia: “Bella Ciao”!
Começávamos cantando lentinha, como no primeiro vídeo abaixo e depois íamos acelerando até onde podíamos, todos batendo palmas e pés no convento! (segundo vídeo no fim do post!). Essa música era cantada pelos partisans, tropas irregulares que se formavam a partir de homens e mulheres que resistiam contra tropas invasoras… uma música daqueles e daquelas que enfrentaram a morte, a luta pela liberdade de peito aberto, com a certeza alegre de que sempre continuamos no outro… dá pra imaginar a energia que essa música nos dava ao longo do curso! 🙂

Bella Ciao é uma música de origem controversa (pelo que pesquisei parece de origem irlandesa, propagada por ciganos) e que ganhou diferentes letras em diversas partes do mundo. Tornou-se mundialmente famosa com a letra dada pelos combatentes italianos (os partegianos, partisans) que resistiam contra os fascistas. Quem quiser saber mais sobre a origem da música pode olhar aqui.

Bella Ciao

Una mattina mi son svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi son svegliato,
e ho trovato l’invasor.

O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.

E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.

E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l’ombra di un bel fior.

E le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E le genti che passeranno,
Mi diranno «Che bel fior!»

«È questo il fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«È questo il fiore del partigiano,
morto per la libertà!»

Adeus, Bela!

Esta manhã, acordei
Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, adeus!
Esta manhã, acordei
E encontrei o invasor

oh guerrilheiro (ou resistente), me leve embora
Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, adeus!
oh guerrilheiro, me leve embora
Pois sinto que vou morrer

E se morro como guerrilheiro
Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, adeus!
E se morro como guerrilheiro
Você deve me enterrar

Enterrar lá em cima, na montanha
Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, adeus!
Enterrar lá em cima na montanha
Embaixo da sombra de uma bela flor

E as pessoas que passarão
Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, adeus!
E as pessoas que passarão
E dirão: que bela flor

É esta a flor do guerrilheiro
Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, Bela! Adeus, adeus!
É esta a flor do guerrilheiro
Morto pela liberdade

Quilapayún


“A sociedade burguesa quer que a arte seja outro fator que contribua para a alienação social; nós, artistas, devemos transformá-la em uma arma revolucionária até que a contradição que existe realmente entre a arte e a sociedade seja, finalmente, superada. “ (trecho do encarte do Album “Basta”, 1974, Quilapayún)

Tocar para as massas, num show popular, canções que partem de suas raízes culturais mas transformadas para um fim emancipador, criticando o governo de direita recém eleito, cutucando a esquerda que não consegue se unir, animando todos com seu chamado alegre para a luta… e ainda ser transmitido para milhões via TV… foi exatamente isso que fez o grupo chileno Quilapayún em sua apresentação no festival de Olmue no Chile, agora em março. Adaptaram a letra de uma antiga música do grupo chamada “La Batea” à realidade atual, criticando o fato de se ter elegido “Piñera” para presidente do Chile (um magnata direitoso), assim como o fato da esquerda no chile (no mundo?) estar toda fragmentada, facilitando a ação dos conservadores. Originalmente, essa música, feita durante o governo de Allende, falava das tentativas de boicote da direita aos programas de reformas radicais.

Segue, abaixo, um vídeo antigo com a letra original de “La batea” e depois o vídeo do show recente de março, com a letra atualizada. Esse vídeo recente foi censurado pela Chillevision, canal que transmitia o festival de Olmue, e está sendo retirado repetidamente do Youtube. Talvez este vídeo saia do ar em breve, portanto. Mas eu já baixei e, qualquer coisa, subo novamente.

Que felicidade saber que existem grupos ainda revolucionários como Quilapayún!!!

Um pouco sobre o Quilapayún

Quilapayún surgiu em 1965 quando Julio Numhauser e os irmãos Julio e Eduardo Carrasco deram forma a um trio de música popular que se chamava “os três homens barbados” (“Quila-Payún” em mapuche, língua nativa dos povos da região sul do Chile). Seu diretor musical, em seu início, foi Ángel Parra (o filho de Violeta Parra). Em 1966 o grupo começou a ganhar notoriedade com sua música andina e a ser facilmente reconhecido pelos seus ponchos pretos, marca registrada do grupo. O encontro com Victor Jara foi decisivo. Este passou a ser o diretor musical e artístico do grupo e influenciou profundamente a estética e ética do grupo. O contexto político de ascenção de Allende ao governo funcionou como catalizador de todos essas experiências artísticas inovadoras: uma mistura única de temas tradicionais da cultura andina com a luta política revolucionária do Chile e de todos os povos (Quilapayún fez diversas músicas para campanhas do governo de Allende.) Com seu disco “Basta”, uma coleção eclética de canções de luta de povos de todo o mundo, marcam definitivamente a Canção Nova latinoamericana, sua opção pelo socialismo e tornam-se mundialmente conhecidos. Com a derrubada de Allende, o grupo se exila na França e, então, racha (não só os grupos políticos estão sujeitos a isso!). Há, hoje, o Quilapayún de luta, que se apresenta pelo Chile e é exibido neste post, e um outro Quilapayún que fica pela França e roda a Europa e se aburguesou.

Vídeo da década de 70 – “La batea” original


Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea.

El gobierno va marchando, qué felicidad,
la derecha conspirando, qué barbaridad,
va marchando, conspirando,
pero el pueblo ya conoce la verdad.

Por el paso de Uspallata, qué barbaridad,
el momiaje ya se escapa, qué felicidad,
En Uspallata hacen nata,
que se vayan y no vuelvan nunca más.

Ya perdieron la cordura, qué barbaridad,
sabotear la agricultura, qué fatalidad,
que chuecura las verduras
los culpables son de Patria y Libertad.

“La batea” atualizada, festival de Olmue 2010 – VÍDEO CENSURADO


Con el voto de la gente, qué felicidad,
Ya tenemos presidente, qué barbaridad.
Con la gente, presidente,
Para Chile hay que ponerse a trabajar

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

No salió mi candidato, qué barbaridad,
Hay Piñera para rato, qué fatalidad.
Candidato, para rato,
En Lan Chile vamos todos a volar,

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

Ya esta bueno de partidos, qué barbaridad,
Que van todos divididos, qué fatalidad.
Los partidos divididos
Sino se unen no van a resucitar

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

La batea, ea ea, qué barbaridad
La batea ea ea, qué felicidad (x 4)

Mira la batea, como se menea
como se menea el agua en la batea. (x 2)

La batea, se menea (x 6)