é sempre bom lembrar


Em meio aos meus estudos de mestrado (e debates de buteco) vão aqui algumas coisinhas importantes de sempre lembrar. E pra não deixar este post sem caráter literário vai ao final também um poema de Marx, pra lembrar que ele também já foi poeta e ingênuo, época em que achava que seus pensamentos eram “livres”.

Trechos de Marx, Engels e Lenin

“Tudo que sei é que não sou marxista”.
A frase foi dita pelo próprio Marx no fim dos anos 70 (séc. XIX).

Engels adverte: “Ora, nossa concepção da história é, antes de tudo, uma diretiva para o estudo, e não uma alavanca para construções à maneira dos hegelianos.” Carta de Engels a C. Schmidt, 5 de agosto de 1890 (Correspondance: 448)

“o método materialista se transforma em seu contrário cada vez que se o emprega não como um fio condutor da investigação histórica, mas como um modelo pronto com a ajuda do qual se cortam e recortam os fatos históricos”. Carta de Engels a P. Ernst, 5 de junho de 1890 (Correspondance: 446)

“É em parte de Marx e minha, a responsabilidade pelo fato de, às vezes, os jovens darem um peso maior do que o devido ao lado econômico. Face a nossos adversários, precisávamos sublinhar o princípio essencial negado por eles, e então nem sempre dispúnhamos do tempo, do espaço ou da ocasião de dar lugar aos outros fatores que participam da ação recíproca. Mas quando se tratava de apresentar um trecho da história, quer dizer, de passar à aplicação prática, a coisa mudava e não havia erro possível. Mas, infelizmente, acontece muito frequentemente que se acredite ter compreendido perfeitamente uma nova teoria e poder manejá-la sem dificuldade, desde que se tenha apropriado de seus princípios essenciais; e isso nem sempre é exato. Eu não posso eximir dessa recriminação a mais de um de nossos ‘marxistas’ recentes, e também é preciso dizer que se tem feito coisas singulares […]” Carta de Engels a J, Bloch, 21-22 de setembro de 1890 (Correspondance: 452-454)

Essas citações foram retiradas do volume de correspondência de Marx e Engels. Sobre essa correspondência, Lênin diz que

“o rico conteúdo teórico do marxismo se desenvolve aí com uma clareza extraordinária, pois Marx e Engels retornam várias vezes em suas cartas aos aspectos mais diversos de sua doutrina, sublinhando e esclarecendo – às vezes discutindo e persuadindo um ao outro – os pontos mais recentes (em relação às visões anteriores), os mais importantes, os mais difíceis. (…) Todavia, a concepção de Marx, em seu todo, não é uma doutrina, mas um método. Não fornece dogmas fechados, mas os pontos de partida para o estudo ulterior e o método para essa pesquisa.” (LÉNINE, V. OEuvres, Paris-Moscou, t. 19, p. 593)

Os pensamentos são livres (Karl Marx)

( Die Gedanken sind frei )

Os pensamentos são livres!
Quem pode adivinhá-los?
Eles passam voando
Como sombras da noite.
Ninguém pode sabê-los,
Ninguém pode atingí-los,
Não há como mudar:
Os pensamentos são livres!

Eu penso o que eu quero,
E tudo o que me agrada,
Mas tudo em silêncio
Sem chamar a atenção.
Meu desejo e meu anseio
Ninguém pode impedir.
Não há como mudar:
Os pensamentos são livres!

E se eu for aprisionado
No mais sinistro calabouço,
Tudo isto será obra
Inútil e também vã;
Pois os meus pensamentos
Partem os grilhões
E os muros em dois:
Os pensamentos são livres!

Por isto para sempre
Deixarei de lado preocupações
Deixarei de lado para sempre
Os meus temores
Pois no coração sempre
Será possível rir e ser alegre
E ao mesmo tempo pensar:
Os pensamentos são livres.