O “Circo da Miséria – o maior desespetáculo da Terra”, trabalho solo de Jeff Vasques (palhaço Magrólhos) foi selecionado pelo edital PROAC 09/2019 para circular por 20 cidades do interior do estado de São Paulo. Esse trabalho aborda a vida da população em situação de rua através da figura do palhaço vagabun do, ou melhor, vagamundo, com humor, provocação e comoção, tendo sido construído a partir de oficinas com o povo da rua, a partir de seu olhar e suas histórias. Além da apresentação, ocorre sempre um bate-papo ao final para desmistificar o povo da rua, e ainda será realizada em cada cidade uma oficina “A miséria e o palhaço vagabundo”, aprofundando o debate sobre as origens da miséria e sobre esse tipo de palhaço, tão pouco explorado atualmente e famoso com Chaplin, Chaves, Didi.

Vivemos em um mundo em que 50% da população mundial vive na pobreza. O Brasil é o 9º país mais miserável do mundo, onde os 10% mais ricos possuem quase metade da renda do país. Fruto dessa desigualdade, é o alarmante número de pessoas em situação de rua, que passa dos 111 mil. 

O desemprego, a falta de moradia e de acesso a serviços de educação e saúde de qualidade são causas centrais que levam as pessoas para a rua. Ali, são falsamente rotulados de violentos, vagabundos, imorais, o que faz com que os passantes hajam com indiferença ou violência: a cada hora, duas pessoas em situação de rua são violentadas e, a cada dois dias, uma é morta!

A miséria se apresenta, portanto, nessa dupla forma: como pobreza, de um lado, e insensibilidade-hostilidade, de outro. Em ambos casos, perdemos nossa humanidade. Somos, assim, levados a crer que esse é um cerco impossível de se romper, de mudar.

Mas provamos, ao longo da história, que temos a capacidade de, juntos,  tornarmos possível o impossível, algo tão belamente simbolizado nas incríveis façanhas do Circo! A arte e a educação, apesar de não serem suficientes para a superação da miséria, ajudam a reverter essa indiferença, nos colocando no lugar do outro, nos comovendo e provocando para uma ação coletiva transformadora. É um pouco do que pretendemos com este desespetáculo: romper o atual cerco e nos fazer circo!

“Circo da Miséria – o maior desespetáculo da Terra!”

Apresentação solo de palhaço vagabundo sobre os cercos e circos da
vida nas ruas.

Duração ajustável: 30 a 60 min + bate-papo Faixa etária:
livre

Criação, direção e atuação:
Jeff Vasques (palhaço Magrólhos)

Orientação geral:
do povo da rua

Orientação cênica:
Luciane Olendzki e
Sérgio Carozzi

Assistente de direção:
Taiane Raffa

Figurinista:
Consuello Matroni

CIRCO DA MISÉRIA

Este desespetáculo é influenciado pela tradição dos palhaços “vagabundos”,
ou melhor, “vagamundos”, que tem em Carlitos, de Charles Chaplin, sua
encarnação
mais famosa, mas também está representada pelo Chaves, do
seriado mexicano famoso no Brasil, e pelo nosso Didi Mocó. Esses palhaços
miseráveis usam da criatividade e de todo seu “jeitinho esperto” para
garantirem sua sobrevivência.

No “Circo da Miséria”, Magrólhos, um errante, desses que erram por ruas e
praças, arma seu circo diário por sobrevivência diante do desrespeitável
público passante. A partir dos restos da humanidade, do lixo, cria
maravilhas em busca de um simples olhar ou de um trocado, fazendo-se
dançarino, malabarista, acróbata, mágico, e o que mais for necessário para
domar seus leões, para se fazer um pouco mais visível,
risível e
humano.

Construído a partir de oficinas artísticas com a população em situação de
rua, suas histórias, lutas e olhares dirigem o Circo da Miséria, que,
assim, faz rir e desrir, provocando e comovendo.

A apresentação é sempre seguida de um bate-papo para desmistificar o povo
da rua e, também, pode ser realizada a oficina “A miséria e o palhaço
vagabundo”.

Agenda Miserê 2020