A poesia surge para mim, náufrago-adolescente, como bóia de salvação. Ela me ajudou a me entender, me aceitar, a lidar com a morte, com a perda, com a descoberta da pele, do prazer, me ajudou e ajuda a compreender o mundo e hastear bandeiras no coração. De necessidade impulsiva e auto-centrada, aos poucos, a poesia passa a ser jogo prazeroso e consciente na relação com o Outro e, assim que bate de cara com o muro do mundo, vai assumindo sua capacidade de gritar e sonhar coletivamente.

As poesias são parte de minha luta cotidiana, social e íntima e, justamente por isso, preciso socializá-las, abri-las ao confronto saudável com outros olhos. É buscando desfazer o mito de artista-poeta-ser-especial que me exponho e exponho meus poemas. É através dos avanços e retrocessos da obra – reflexos de minha luta concreta contra a ordem -, é através da humanidade comum e singular de minha experiência, suja e cristalina, que espero possam os leitores se identificar (ou não) a ponto de se sentirem motivados a entoar seu próprio futuro.

Escrevo para os que lutam – direta ou indiretamente – contra a ordem imposta, ordem presente nas escolas, fábricas, nos hospitais, nas casas, nos casais. Escrevo para os que se rebelam, para os que lutando contra abismos não podem abismar-se, para os que precisam se enternecer sem perder a dureza, jamais.

“Dividido em classe e nações presas a interesses contraditórios, ele [o ser humano] atenta contra si mesmo e contra a natureza, mistifica-se e aliena-se em conceitos e preconceitos que o levam à produção de armas mortíferas capazes hoje de destruir a própria humanidade.(…) Este é o mundo em que vivemos, banal e delirante, mas onde se torna cada dia mais clara a necessidade de despertar e cultivar o que há de humano no apresenta_livrosm. Os poetas podem ajudar nisso. E não por mistificar a realidade mas, pelo contrário, por revelá-la na sua verdade, que é prosaica e, ao mesmo tempo, fascinante. O poeta sonha no concreto o sonho de todos. Ele sabe que a poesia brota da banalidade do mesmo modo que o poema nasce da linguagem comum. Está na tua boca, na minha boca, a palavra que eventualmente se converterá em beleza. Ou não.”

(do finado Ferreira Gullar em “Poesia e a realidade contemporânea”)

Manual e Guia do Palhaço de Rua

Chacovachi, o palhaço punk argentino, marcou a retomada das praças e ruas na américa latina como espaço para o trabalho artístico, em específico, a arte do palhaço de rua. A partir de sua experiência de 30 anos pelas praças do mundo

Nascimento Voltatil

Nascimento Voltatil, ANGYE GAONA, trad. de Jeff Vasques (2012) (trechos do prefácio que fiz para o livro “Nascimento Volátil” de Angye Gaona, lançado em 2012 pela Fábrica ocupada pelos trabalhadores, a Flaskô) O terror de Estado na Colômbia tem intimidado a população que se cala para não ser presa ou morrer. A poeta Angye Gaona, …

Poesias de Luta da América Latina (2017)

pesquisa, seleção e organização de Jeff Vasques Há alguns anos venho pesquisando e traduzindo um tipo de poeta que, para mim, é a que produziu a melhor poesia de seu tempo, o poeta lutador a poeta lutadora, que se engajaram, em diferentes intensidades, nas lutas sociais pela superação do capitalismo. Em geral, trata-se de pessoas …

Te dou a minha palavra

Com “Te dou a minha palavra”, retomo os 3 temas universais que me perseguem e a divisão em 3 partes: “Te amo… palavra!” (o tesão pela palavra e o amor pelo outro através delas); “O tempo exímio, exuma” (sobre a passagem do tempo, a perda, a morte) e “Palavra De(s)ordem” ( palavra como bandeira, trincheira …

Outras Publicações

Colaborei com artigos para a revista “Territórios Transversais” do MTST, segue os links para os textos: Che poeta? (TT num 1) Sem-tetos, Sem-pátrias, Sem-palavras: poesia palestina (TT num 2) Poesia sem-teto (TT num 3) Aqui uma entrevista que concedi para a “Revista escrita” “A poesia de luta do escritor, palhaço e comunista, Jeff Vasques”

Nada comum dia após o outro

No segundo livro, “Nada comum dia após o outro”, buscava me afastar da falação (meu primeiro livro contava, em geral, com poemas grandes) e me abrir mais ao jogo prazeroso com as palavras. E assim nasceu como livro de bolso, com micro-poemas ilustrados por queridos amigos. Mesmo com versos curtos, os temas presentes no livro …

Amor livre-se

“Amor livre-se” é um livro-zine abordando a temática do amor livre x amor monogâmico. Mais do que cantar loas a uma suposta liberdade para amar (virtualmente impossível em nossa atual realidade), os poemas problematizam as experiências amorosas de nosso tempo, seja a dominante, monogâmica, seja os novos experimentos libertários, que só podem se realizar plenamente …

PSIU! uma estória infantil para adultos ou uma história já madura para crianças

“PSIU! uma estória infantil para adultos ou uma história já madura para crianças” é meu primeiro livro infanto-adultil, para crianças de 9 a 90 anos. Estória que nasceu há muitos anos atrás e foi retomada a partir da aproximação com o movimento da população em situação de rua. Em PSIU! conto uma estória que “faça …