Orozco (Argentina)

Faz algum tempo que não tra(b)duzo Olga Orozco. Adoro seu jeito de escrever, apesar de não compartilhar de sua visão metafísica do mundo. Contradições que por enquanto não me espremem contra a parede. Sei que ela me agasalha, em diversos momentos, como uma luva. Abaixo um poema seu em homenagem a três grandes “gênios” artísticos, reféns de outro mundo, mas que pisavam as contradições deste mundo e, em alguma medida, transmitiram isso em sua arte (de Van Gogh, pelo menos, tenho essa certeza). Na arte, há sempre essa tensão entre ser refém “espiritual” de algo que não existe, algo além, “de outros mundos” e ter suas pernas fincadas num mundo concreto, real, contraditório.

REFÉNS DE OUTRO MUNDO

para Vicent Van Gogh,
para Antoni Artaud,
para Jacobo Fijman

Era um pacto firmado com o sangue de cada pesadelo,
uma simulação de dormentes que roem o perigo em um osso de insônia.
Proibido ir adiante.
Somente o santo tinha a senha para o túnel e o vôo.
Os outros mordaça, as vendas e o castigo.
Então devia-se acatar aos guardiões desde o fundo do fosso.
Devia-se aceitar as plantações que se perdem de vista a beira dos pés.
Devia-se apalpar às cegas as muralhas que separam o hóspede do perseguidor.
Era a lei do jogo no salão fechado:
as apostas medíocres até se perder a chave
e umas portas que se abrem quando rodam os últimos dados da morte.

E eles se adiantaram de um salto até o final,
com suas altas coroas.
Queimaram as cortinas,
arrancaram pela raiz as árvores do bosque,
romperam até o fundo as membranas para poder passar.
Foi uma labareda sagrada no inferno,
uma lufada de céu sepultado na areia,
a cabeça de um deus que cai dando tombos entre um raio e o trono.
E depois não existiu mais.
Nada mais que as chamas, o pó e o estrondo,
iguais para sempre, cada vez.
Mas essa mesma mão mordida pela armadilha roçou a eternidade,
essa mesma pupila esmagada pela luz foi um fragmento do sol,
essas sílabas destroçadas na boca foram por um instante a palavra.
Eles eram reféns de outro mundo, como o carro de Elias.
Mas estavam aqui,
caindo,
desprendidos.

 

Olga Orozco – mais traduções

Resgatando e melhorando duas antigas tra(b)duções de poemas de Orozco que, por sua vez, me tra(b)duzem 😉

O jardim das delícias (Olga Orozco)

Acaso é nada mais que uma zona de abismos e vulcões em
plena ebulição, predestinada às cegas para as cerimônias da
espécie nesta inexplicável travessia para baixo? Ou talvez um
atalho, uma emboscada obscura onde o demônio aspira a inocência
e sela à sangue e fogo sua condenação na estirpe da alma? Ou
quiça tão somente uma região marcada como uma cruz de encontro
e desencontro entre dois corpos submissos como sóis?
Não. Nem viveiro da Perpetuação, nem frágua do pecado original,
nem armadilha do instinto, por mais que apenas um vento exasperado
propague por sua vez a fumaça, a combustão e a cinza. Nem sequer
um lugar, ainda que se precipite o firmamento e haja um céu que
foje, inumerável, como todo instantâneo paraíso.

Sozinha, só um número insensato, uma prega nas membranas
da ausência, um relâmpago sepultado em um jardim.

Mas basta o desejo, o sobressalto do amor, a sirena da
viagem, e então é mais um nó tenso em torno do feixe de
todos os sentidos e suas múltiplas ramas ramificadas até a
árvore da primeira tentação, até o jardim das delícias e
suas secretas ciências de extravio que se expandem de repente
da cabeça até os pés igual que um sorriso, o mesmo
que uma rede de ansiosos filamentos arrancados dum raio, a
corrente eriçada arrastando-se em busca do extermínio ou da saída,
escorrendo-se para dentro, rastejada por esses sortilégios que são
como tentáculos de mar e que arrebatem com vertigem indizível
até o fundo do tato, até o centro sem fim que se desfunda
caindo desde do alto, enquanto passa e trespassa essa orgânica
noite interrogante de cristas e focinhos e buzinas, com
ofegar de besta fugitiva, com seu flanco atiçado pelo chicote
do horizonte inalcançável, com seus olhos abertos aos mistério
da dupla treva, derrubando com cada sacudida a nebulosa
maquinaria do planeta, pondo em suspensão corolas como
lábios, esferas como frutos palpitantes, borbulhas onde pulsa
a espuma de outro mundo, constelações extraídas vivas de seu
prado natal, um êxodo de galáxias semelhantes a plumas girando
loucamente em um grande aluvião, nesse torvelinho estrondoso que
já se precipita pelo funil da morte com todo o universo
em expansão, com todo o universo em contração para o parto
do céu, e faz estalar de repente a redoma e dispersa no
sangue a criação.

O sexo, sim,
melhor, uma medida:
a metade do desejo, que é apenas a metade do amor.

Para se fazer um talismã (Olga Orozco)

Só é necessário teu coração
feito à viva imagem de teu demônio ou de teu deus.
Apenas seu coração, como um incensário em brasa para a idolatria.
Nada mais que um indefeso coração enamorado.

Abandone-o às intempéries,
deixa-o
lá onde a erva uiva suas queixas de ama louca
e não o permite dormir,
lá onde o vento e a chuva derrubam seu castigo
em um golpe de azul-calafrio
mas sem convertê-lo em mármore
e nem partí-lo em dois
lá onde a escuridão abre suas tocas à todas as selvagerias
e não o deixa, ah,
e não o permite
esquecer…

Ajeita-o, depois, do alto de seu amor
ao fervedouro fundo das brumas.
Então, deixa-o secando no surdo regaço da pedra,
e escava nele, com uma agulha fria e funda,
até arrancar o último grão de esperança.

Permita que o sufoquem as febres e a urtiga,
que o sacuda o trote ritual das matilhas,
que o envolva a injúria feita com os farrapos de suas antigas glórias.
E quando um-dia for um-ano o aprisione com as garras dum século,
antes que seja tarde, antes que seja nunca,
antes que se converta em múmia deslumbrante,
e abre de par em par, pétala-por-pétala,
todas sua feridas:
e as exiba ao sol piedoso do meio-dia como um mendigo o faria,
e lamenta, em delírio, no deserto,
até que somente o eco
de um nome cresça
ali dentro
como a fome
cresce em fúria:
o golpear incessante da colher contra um prato vazio.

Se ainda pulsa,
chegou até aqui como a viva imagem de teu demõnio ou teu deus:
eis aí teu talismã
mais inflexível que a lei,
mais forte que as armas e o mal de teu inimigo.
Guarde-o na vigília de teu peito como um sentinela,
mas… alerta!
Pois pode crescer aí dentro como a mordedura da lepra,
pode se tornar seu carrasco:
o inocente monstro, o insaciável comensal de tua morte!

Quando alguém nos morre (Orozco)

Ler Orozco é difícil, mas adoro. Agora, necessário. Segue a tra(b)dução.

Quando alguém nos morre (Olga Orozco)

Poema a Eduardo Bosco

Foi necessário o grave, solitário lamento do vento entre as árvores,
para que tu soubesses mais que ninguém esse desesperado ressonar,
esse rumor sombrio com que podem se dizer as palavras
quando de nada vale sua fugaz melodia,
quando na solidão – a única aparência verdadeira -,
contemplamos, calando, os seres e os tempos que foram em nós
irrevogáveis mortes cujos nomes não saberemos jamais.

Foi necessário o ócio daquelas largas noites
que minuciosamente ordenastes em recordações, memorioso,
para que tu passasse sustentando a sombra com tua sombra,
apenas pressentida pelos dias,
com tua mesma pausada palidez demorando-se ainda depois de haver ido,
porque era teu adeus a despedida última,
o último sinal que acercava os sonhos desde o incontido amanhecer.

Foi necessário o lento trabalho dos anos,
seu rápido fulgor, seu murcho decair entre pesados muros
que só levantaram respostas de cinza a teu chamado
para que tu mirasses largamente tuas despojadas mãos
como uma planície donde os ventos deixam poeiras mortais,
enquanto dispõem, distante,
a tempestade que arrasa desmedida seu sedento destino.

Foi necessário todo o que fomos contigo,
o que somos contigo do lado dos prantos,
para saber, vivendo, quanta surda treva te assediava
e encontrar-nos, depois,
Com o assustado resplendor do ar que deixastes morrendo.

Porque todo este tempo
é o inumerável testemunho que nos traz as mesmas evidências,
aquele que fostes quanto eras, de uma vez para sempre:
acostumados gestos,
certos ritos que cumprira teu sangue submissa à memoria,
esses noturnos passos acercando os campos
onde a luz é só um repetido começo de penumbras,
as remotas paredes, as efêmeras coisas a que retornavas
com a triste paciência de quem guarda, laborioso, no olhar,
paisagens habituais que mais tarde
aliviarão o peso das horas em sabido desterro.

Tu pedias tão pouco.
Apenas se anseia um tranquilo viver que prolongasse a duracão de tua alma
em idéntico amor,
em radiante amizade, em devoção sagrada
por gentes que existiram com a simples nobreza da terra,
sem glórias nem ambições.
Tu amavas o imortal, o grandioso terrestre.

Mas não pode o débil chamado de tua vida contra pesadas portas
aposentos malditos, épocas miseraveis
onde o destino dorme surdamente seu legendário esquecimento-,
nadas tu na distância contra os invenciveis mares do inútil,
nadas tu juventude contra esse rosto
que entre desalentadas rebeldias, nostalgias e furiosos pesares,
infatigavelmente se assomou a teus desvelos;
e umas noites sentimos dentro do coração um rouco ondear,
amargamente vivo,
no preciso lugar onde ardia em nós,
como nós mesmos, duradoura,
tua calada grandeza.

Agora estamos mais sós por império da morte,
por um corpo ganhado como um palmo de terra pela terra baldia,
recobrando ao conjuro do mais distante sopro
realidades perdidas no mais esquecido dos antigos dias,
imagens que juntos transpassamos, que juntos nos esperam;
porque nao é a recordação do passado dispersos alhures
-folhas e ramas que acendemos
para chorar ao humos de uma lânguida fogueira-,
senão fiéis sinais de uma região dormente que aguarda nosso passo
com as pegadas de outrora suspendidas como eternas roupagens.

Não é só por dizer, Eduardo, quando alguém nos morre,
não há um lugar vazio, não há um tempo vazio,
há lufadas imensas que se buscam a sós, sem consolo,
pois aqui, e mais além,
tanto do que ele foi respira conosco a fadiga do pó passageiro,
tanto do que somos repousa irrecobrável entre sua morte
que assim sobrevivemos
levando cada um uma sombra do outro pelos distantes céus.
Alguma vez se acercarão,
Então, quando estivermos contigo para sempre,
Últimos como tu, como tu verdadeiros.

Ainda em Orozco

Em viagem… segue uma tradução do antigo blog…

DENSOS VÉUS TE COBREM, POESIA (Olga Orozco)

Não é neste vulcão que há debaixo de minha língua falaz onde te busco,
nem esta espuma azul que ferve e se cristaliza na minha cabeça,
senão nessas regiões que mudam de lugar quando se nomeiam,
como o secreto eu e as indecifráveis colônias de outro mundo.
Noites e dias com os olhos abertos sob o insuportável pestenajar do sol,
espiando no céu um sinal,
a sombra de um eclipse fulgurante sobre o rosto do tempo,
uma fissura branca como um corte de Deus na muralha do planeta.
Algo com que iluminar as sílabas dispersas de um código perdido
para poder ler nestas pedras meu costado invisível.

Mas nenhum pentecostes de asas ardentes descendo sobre mim.
Variações de fumaça, retalhos de trevas com máscaras de chumbo,
meteoros inominados que me subtraem a visão entre um bater de portas!
Noites e dias fortificada na clausura desta pele,
escavando no sangue como uma toupeira,
removendo no ossos as fundações e lápides,
em busca de um indício como de um talismã que me reverta à divisão e a queda.
Onde foi sepultada a semente de meu pequeno verbo mesmo sem formular?
Em que Delfos perdido na corrente
sobem como o vapor as vozes desprendidas que reclamam minha voz para manifestar-se?
E como agarrar o signo à deriva – esse e não qualquer outro –
em que deve encarnar cada fragmento deste imenso silêncio?
Não há resposta que estoure como uma constelação entre farrapos noturnos,
Apenas se fantasmas insondáveis das profundidades,
territórios que comunicam com pântanos,
lascas de palavras e seixos que se dissolvem no insolúvel nada!

No entanto
agora mesmo
ou alguma vez
não sei
quem sabe
pode ser
através das duplas espessuras que fecham a saída
ou acaso suspendida por um erro de séculos na rede do instante
cri te ver surgir como uma ilha
quiçá como uma barca entrea as nuvens ou um castelo em que alguém canta
ou uma gruta que avança tormentosa com todos os sobrenaturais fogos acesos.

Ah, as mãos cortadas,
os olhos que avivam e o ouvido que troveja!
Um punhado de polvo, meus vocábulos!

 

Olga Orozco (Argentina, 1920-1999)



Antigas traduções do blog antigo dessa poeta que tanto gosto, Olga Orozco.

O RETOQUE FINAL

É este aquele que amavas.
A este rosto falaz que burla seu modelo de lenda,
a estes olhos imóveis que medem a vantagem de ter invertido a cegas teu destino,
a estas mãos mesquinhas que apostam à pura terra sua ganância,
consagraste os anos do pesar e da espera.
Esta é a imagem real que provocou os belos espelhismos da ausência:
corredores sedosos iluminados pela repetição do eco,
pelas sucessivas esfíngies do erro;
desvãos até o céu, subsolos até o recuperado paraíso,
quartos à deriva, quartos como de plumas e diamantes
nos quais provavas cada noite os sóis e as chuvas de teu sempre jamais,
enquanto ele sorria, estranhamente imóvel, absorto no abraço da perduração.
Ele estava no alto de qualquer escadaria,
ele saía por todas as janelas para o vôo nupcial,
ele te chamava por teu verdadeiro nome.

Construções instáveis,
sustentadas apenas pelo tremor de um beijo na memória,
por essas vibrações com que volta um adeus;
cárceres do destino, cárceres insensatos que o mesmo Piranesi envidaria.
Basta um sopro de areia, um encontro de laços desatados,
uma palavra fria como a lixa e a suspeita,
e essa urdidura de lamparinas e vapor se desmorona com um ranger de asas,
se dissolve como templo de mel, como pirâmide de neve.
Doçuras para moscas, ruínas para o enxame da profanação.
Querias incendiar os fantasiosos depósitos do ontem,
romper as maquinarias com que forjou a recordação das armadilhas para hoje,
o inútil e pérfido disfarce para amanhã.
Ou querias, ainda mais, não ter olhado nunca o aleivoso rosto,
não ter visto jamais o que não foi.
Porque sabes que ao final dos últimos fulgores, das útimas névoas,
acabará por despregar-se, voraz como uma praga, outra vez todavia,
a inevitável fita de toda sua existência.
Ele passará outra vez nessa rajada de velozes visões, de dias migratórios;
ele, com seu rosto de outrora, com tua história inconclusa,
com o amor saqueado à insuportável pele da mentira,
abaixo desta queimadura.

COM ESTA BOCA, NESTE MUNDO…

Não te pronunciarei jamais, verbo sagrado,
ainda que me deixe as gengivas de cor azul,
ainda que ponha debaixo de minha língua uma pepita de ouro,
ainda que derrame sobre meu coração uma caldeira de estrelas
e passe pela minha frente a corrente secreta dos grandes rios.

Talvez tenhas fugido para os cantos da noite da alma,
onde não é possível chegar desde nenhuma lâmpada,
e não há sombra que guie meu vôo pelo umbral,
nem memõria que venha de outro céu para encarnar esta dura neve
onde só se inscreve o roçar da rama e a lamúria do vento.

E nem um só tremor que faça sobressaltar as mudas pedras.
Temos falado demasiado do silêncio,
o temos condecorado assim como a um vigia no arco final,
como se nele estivesse o esplendor depois da queda,
o triunfo do vocábulo com a língua cortada.

Ah, não se trata de canção, tampouco de soluço!
Já disse o amado e o perdido,
travei com cada sílaba os bens que mais temi perder.
Ao largo do corredor sonha, ressoa a tenaz melodia,
retumbam, se propagam como o trono
umas poucas moedas caídas de visões ou arrebatadas à obscuridade.
Nosso grande combate foi tambem um combate a morte com a morte, poesia.
Ganhamos. Perdemos, porque como nomear com esta boca,
como nomear neste mundo com esta boca apenas
neste mundo com esta boca
apenas?

Olga Orozco (Argentina)

Faz algum tempo que não tra(b)duzo Olga Orozco. Adoro seu jeito de escrever, apesar de não compartilhar de sua visão metafísica do mundo. Contradições que por enquanto não me espremem contra a parede. Sei que ela me agasalha, em diversos momentos, como uma luva. Abaixo um poema seu em homenagem a três grandes “gênios” artísticos, reféns de outro mundo, mas que pisavam as contradições deste mundo e, em alguma medida, transmitiram isso em sua arte (de Van Gogh, pelo menos, tenho essa certeza). Na arte, há sempre essa tensão entre ser refém “espiritual” de algo que não existe, algo além, “de outros mundos” e ter suas pernas fincadas num mundo concreto, real, contraditório.

REFÉNS DE OUTRO MUNDO

para Vicent Van Gogh,
para Antoni Artaud,
para Jacobo Fijman

Era um pacto firmado com o sangue de cada pesadelo,
uma simulação de dormentes que roem o perigo em um osso de insônia.
Proibido ir adiante.
Somente o santo tinha a senha para o túnel e o vôo.
Os outros mordaça, as vendas e o castigo.
Então devia-se acatar aos guardiões desde o fundo do fosso.
Devia-se aceitar as plantações que se perdem de vista a beira dos pés.
Devia-se apalpar às cegas as muralhas que separam o hóspede do perseguidor.
Era a lei do jogo no salão fechado:
as apostas medíocres até se perder a chave
e umas portas que se abrem quando rodam os últimos dados da morte.

E eles se adiantaram de um salto até o final,
com suas altas coroas.
Queimaram as cortinas,
arrancaram pela raiz as árvores do bosque,
romperam até o fundo as membranas para poder passar.
Foi uma labareda sagrada no inferno,
uma lufada de céu sepultado na areia,
a cabeça de um deus que cai dando tombos entre um raio e o trono.
E depois não existiu mais.
Nada mais que as chamas, o pó e o estrondo,
iguais para sempre, cada vez.
Mas essa mesma mão mordida pela armadilha roçou a eternidade,
essa mesma pupila esmagada pela luz foi um fragmento do sol,
essas sílabas destroçadas na boca foram por um instante a palavra.
Eles eram reféns de outro mundo, como o carro de Elias.
Mas estavam aqui,
caindo,
desprendidos.