Ibero-americanos


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(3 cravos vermelhos: minha singela homenagem ao poeta lutador Ibero Gutierrez, brutalmente assassinado pelo Esquadrao da Morte durante a ditadura uruguaia)

IBERO-AMERICANOS


13 estrondos
de raiva
depois

– entre
esbaforidos
e consternados –

apenas depois
de 13 covardes
disparos

por fim
aceitaram

– no silêncio rojo
que anunciavas –

quão fundo, feroz e calmo

quão

fundo
feroz
e calmo

fora teu ¨não¨, Ibero,

enquanto te imploravam
– armas em fronte –
que pedisses
perdão.

Se ao menos
te conhecessem
um pouco,
irmão,
saberiam esse
teu canto delirante
que despe o perdão do mundo
que rasga as piedades da paz
e danca
todos os pecados
pelados
sobre culpas
de caramelo
derretidas.

¨Sabes lo que es la carne?¨
tentaria indagá-los…
mas eles não sabem, Ibero…
eles não…

Perdão por conspirar a plenos pulmoes com a vida?
Perdão por agir a poesia, dando-lhe pernas, carne, mãos?
Perdão por exorcisar num só canto todos medos do corpo?
Perdão por essa profundississima irmandade com todos?
Perdão por amar o amor de a dois e das estrelas?
Perdao pelo iberismo que raia nos olhos a cada novo dia?
Perdão, enfim, por lutar por outra America Latina?

Sobre teu corpo,
companheiro,
escreveram
– entre esbaforidos e consternados –
¨Tu tambem pediste perdão.
bala por bala. morte por morte¨

e sobre todos os coracoes
a que chegaste, Ibero,
escrevo esta sorte:

¨Fala por fala
Vida por vida

sem qualquer perdão

segue
tua luta

segue
tua poesia¨

Ibero,
te seguimos
cantando
e assim
nos fazendo
Ibero-americanos.