“Não me peçam” de Pablo Neruda


O Denis me presenteou com 3 revistas “Nerudianas” direto do Chile, dedicadas a esmiuçar a vida e obra de Pablo Neruda. Numa delas, descobri este poema… que não é dos melhores, mas importante pois onde o poeta se posiciona claramente sobre questões (est)éticas. Depois segue o próprio Neruda declamando o poema.

NÃO ME PEÇAM

Pedem alguns que este assunto humano
com nomes, sobrenomes e lamentos
não os aborde nas folhas de meus livros,
não lhes dê a escritura de meus versos.

Dizem que aqui morreu a poesia,
dizem alguns que não devo fazê-lo:
a verdade é que sinto não agradar-lhes,
os saúdo e lhes tiro meu chapéu
e os deixo viajando no Parnaso
como ratos alegres no queijo.

Eu pertenço à outra categoria
e só um homem sou de carne e osso,
por isso se espancam a meu irmão
com o que tenho a mão o defendo
e cada uma de minhas linhas leva
um perigo de pólvora ou de ferro,
que cairá sobre os desumanos,
sobre os cruéis, sobre os soberbos.

Mas o castigo de minha paz furiosa,
não ameaça aos pobres nem aos bons.
Com minha lamparina busco aos que caem,
alivio suas feridas e as fecho.

E estes são os ofícios do poeta,
do aviador e do que trabalha na pedreira:
Devemos fazer algo nesta terra
porque neste planeta nos pariram
e temos que arrumar as coisas dos homens
porque não somos pássaros nem cachorros.

E bem, se quando ataco o que odeio
ou quando canto a todos os que amo
a poesia quer abandonar
as esperanças de meu manifesto,
eu sigo com as tábuas de minha lei
acumulando estrelas e armamentos.

No duro dever americano,
não me importa uma rosa mais ou menos.
Tenho um pacto de amor com a formosura,
tenho um pacto de sangue com meu povo.

“Não me peçam” declamado por Neruda


4 respostas para ““Não me peçam” de Pablo Neruda”

      1. Sem bajulação, mas é um enorme prazer visitar este blog tão bem feito.
        Uma dúvida camarada, como estão as articulações em torno da Angye?

        Abraço

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