Te dou minha palavra


TE DOU MINHA PALAVRA

Não,
não me peça,
– agora –
declarações,
juras,
provas…

Não,
não me peça,
– dentre tantas –
só as palavras puras:
“amor”
“sempre”
“nunca”

O que posso
lhe oferecer
– por hora –
é só esta palavra
comum
e silenciosa:

“nuvem”

E se no correr dos dias
alguma sombra lhe dá…
Mas que bela declaração!

E se te faz ver
– em suas mil formas –
o que ali não está…
Qual melhor prova?

E se venta em fúria
chuva em teu cabelo…
Que juras poderiam mais?

E,
se por ventura,
súbita,
se desfaz
ao sol do meio-dia…

Mas
que bela
a luz do sol
ao meio dia!

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