Amor Sádico


Amor Sádico
(Julio Herrera y Reissig, trad. Jeff Vasques)

Já não te amava, sem deixar por isso
de amar a sombra de teu amor distante.
Já não te amava, e no entanto, o beijo
da repulsa nos uniu um instante…

Acre prazer e bárbaro enlevo
crispou minha face, mudou meu semblante,
já não te amava, e me pertubei, não obstante,
como uma virgem em um bosque espesso.

E já perdida para sempre, ao ver-te
anoitecer no eterno luto,
mudo o amor, o coração inerte,

esquivo, atroz, inexorável, hirsuto,
jamais vivi como naquela morte,
nunca te amei como naquele minuto!

Uma resposta para “Amor Sádico”

  1. Pois é, assim como o próprio capitalismo, o amor romântico burguês dá mostras de decadência. Desbota em ódios, vilanias e álbuns de fotografias…
    abs.,
    maria

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